Sem pose alguma e muito conhecimento, Ulrich Kuhn foi voz de um segmento e da cidade por 33 anos
Quinta-Feira, 10 de Agosto de 2017

Fotos: Edson Pelence/Divulgação-Sintex

A última segunda-feira marcou a despedida do ex-presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e Região (Sintex), Ulrich Kuhn (à esq. nas fotos), após 33 anos consecutivos no comando da importante, tradicional e influente entidade de classe.

– É uma vergonha – chegava a reconhecer em tom de brincadeira sobre o tempo de mandato, quando ainda faltavam alguns anos para completar três décadas à frente do Sintex.

O fato é que até aquele momento não havia quem pudesse substituí-lo à frente de um dos sindicatos patronais mais importantes do estado e do país. Entre os que tinham punch, não havia disponibilidade; entre quem tinha disponibilidade, não havia punch.

Preparo e dedicação

A história de vida e a trajetória profissional de Ulrich Kuhn constituem dessas biografias que reforçam a tese de que a preparação e o trabalho duro dão grandes resultados para quem acredita neles. Nascido na Bélgica, veio para o Brasil com cinco anos de idade, formou-se técnico na área têxtil aos 19, no Rio de Janeiro, exercendo a longa carreira de cinco décadas basicamente em duas empresas – Hering e Karsten, dois dos maiores ícones da pujança têxtil blumenauense.

Como diretor de Exportações da Cia. Hering, Kuhn foi o homem da empresa no mercado externo. Como presidente do Sintex, a voz do segmento e da cidade em muitos momentos conturbados, quando alguém precisava falar mais grosso sem, no entanto, perder a compostura. Esta, aliás, era uma de suas características: elevar o tom sem levantar a voz. O amplo domínio de assuntos ligados à economia e ao cenário político faziam do dirigente patronal fonte recorrente do noticiário local, regional e nacional. Ótimo interlocutor, chegou a ser cogitado para concorrer a vice-governador ao lado da então senadora Ideli Salvatti (PT).

Bife de Igreja

Discreto, no entanto, Kuhn nunca foi de usar o prestígio profissional para ganhar notoriedade no plano pessoal. Também não faz questão de pose sofisticada. Quem perguntar a ele sobre o prato preferido, por exemplo, ouvirá falar de um tal “bife de igreja” – filé de carne bovina assado na brasa e servido em pratos de papel com maionese, arroz e salada nos eventos festivo-religiosos do interior. Na hora de se divertir, nada de luxo-terapia, como gostam de praticar alguns de seus pares. Para o ex-presidente do Sintex, nada melhor que uma pescaria no Pantanal ou na Amazônia.

Assim, misturando na mesma personalidade foco, competência e humildade, ele despediu-se do cargo em cerimônia marcada por homenagens, prestigiada por empresários de peso, presidentes de entidades e autoridades.  

Resultados

Em seu discurso de despedida, o ex-presidente destacou alguns de seus resultados à frente do Sintex, como a administração da grande greve que ocorreu no Vale do Itajaí em 1989 e a criação de eventos para o desenvolvimento do setor têxtil e de vestuário, como a Texfair e a Turnê do Mercado Têxtil. Lembrou do passado, mas com o discurso voltado ao futuro, destacando a importância de cada um fazer a sua parte para construir um Brasil melhor.

– Somos, na maioria das vezes, prisioneiros do pensamento tradicional, absorvidos pelas questões do dia a dia, pela sobrevivência. Mas temos que encontrar o tempo de pensar no amanhã, nas pessoas, na educação, no sentido mais amplo da palavra – analisou.

Não perdeu, claro, a oportunidade de analisar também o país pela última vez como presidente do Sintex, defendendo as reformas em curso, entre as quais a trabalhista, já aprovada pelo Congresso.

– Houve avanços e os resultados vão tardar, mas virão.

Sobre o sucessor, José Altino Comper, diretor-presidente da Círculo SA, Kuhn declarou ter certeza de que, com seu espírito de liderança e experiência, saberá guiar o Sintex diante dos novos desafios, que, destacou, “mais do que  nunca, vão exigir união, desprendimento e energia”.

Competitividade e inovação

O novo presidente da importante entidade patronal manteve a linha do antecessor, destacando que “um Brasil melhor depende e só será possível com uma indústria desenvolvida, competitiva e inovadora, preocupada com o meio ambiente e com a força do trabalho qualificado”.

Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Finanças, Controladoria e Contabilidade, José Altino Comper tem ainda diversos cursos nas áreas de Vendas, Marketing e RH.  Entre as metas de seu mandato à frente do Sintex, está a manutenção da representatividade alcançada pela entidade durante a gestão de Ulrich Kuhn.

– Continuaremos nos relacionando com todas as entidades locais, estaduais e em nível nacional, na busca de melhores condições para o desenvolvimento, competitividade e geração de mais empregos e renda para toda cadeia têxtil – destacou.

Comper integra o Sintex desde 1987 e já ocupou cargos na diretoria, sendo 1º vice-presidente no último período da gestão de Ulrich Kuhn.

Ativa

Kuhn, por sua vez, deixará o comando do Sintex, mas não sairá da ativa. Seguirá atuando nas  funções de conselheiro de empresas e consultor, além de permanecer no Conselho Superior do Sintex.

 Permanecerei atuante em defesa dos interesses do segmento. Com um pouco mais de tempo para ler, viajar e pescar, é verdade, mas sempre atuante.





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