Política e alta gastronomia harmonizam-se em endereço vip de SP. Em Blumenau mudanças no poder vão ficando latentes
Sexta-Feira, 11 de Agosto de 2017

Foto: Nacho Doce/Reuters/Band

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nesta quinta-feira que, se estivesse no lugar do atual presidente do Brasil, não iria esperar até 2018 para que o sucessor fosse eleito.

O tucano, que governou o país de 1995 a 2002, participou de um debate com o cineasta Arnaldo Jabor e o jornalista Carlos Sardenberg sobre o Brasil pós-eleição de 2018 e política em geral. O evento foi promovido pelo escritório de arquitetura Athie Wohnrath, no restaurante Fasano, em São Paulo.

– Se eu estivesse no lugar de Michel Temer, eu anteciparia as eleições – disse FHC.

Ele observou que só o presidente poderia fazer esse movimento, mas que não o fez porque considerou existir condições para governar.

Operação abafa

Perguntado por Sadenberg se acredita em suposta operação abafa para barrar a Lava Jato, o ex-presidente respondeu com outra pergunta:

– Você tem dúvida?

Sem alongar-se no tema, afirmou que a suposta operação, contudo, não terá sucesso.

FHC também disse que "estamos vivendo a crise nas formas representativas de democracia". Para exemplificar, citou as eleições de Donald Trump (Estados Unidos), Emmanuel Macron (França) e o referendo que resultou no Brexit (Reino Unido).

Fragmentação

O ex-presidente disse que o próximo presidente do Brasil será "aquele que trouxer um discurso que dê coesão a uma sociedade fragmentada, alguém que simbolize uma mensagem que dê coesão ao Brasil, alguém que tenha um discurso que encarne uma ideia de Brasil". FHC resumiu o ideal de candidato como alguém que "entendesse o mundo, conheça o Congresso e os órgãos do Estado e tenha capacidade de falar com a sociedade". Ele completou dizendo que "a população vai votar por gente e não por ideias, por alguém que personifique esse discurso de coesão".

Arnaldo Jabor disse no meio do debate que teme "a desgraçada possibilidade de Lula voltar". O público do Fasano aplaudiu o cineasta, e FHC completou:

- Se depender desse público aqui, ele não volta.

O ex-presidente se disse otimista e falou que acredita em mudanças porque "só se muda na tragédia, só se muda na crise" e que "é só preciso encontrar alguém com tutano para essas mudanças".

Candidatura

O discurso de FHC cristaliza uma intenção clara do PSDB: descolar sua imagem de Michel Temer para concorrer com mais chances à presidência da República. O momento é oportuno, pois lembra bastante o cenário de 1994, quando os tucanos chegaram ao poder, através da semente plantada por Itamar Franco, como esperança de correção de rota para o país. Foram bem sucedidos naquele momento e agora seguramente utilizarão o argumento na próxima corrida eleitoral.

Aliás já estão fazendo isso na propaganda de TV. Estão ressaltando os feitos do passado e pedindo desculpas pelos feitos do presente – mais especificamente o apoio que parte da legenda deu a Michel Temer no arquivamento do processo que o acusava de corrupção.

Blumenau

Em Blumenau, os tucanos também já se mobilizam claramente. A possibilidade do prefeito Napoleão Bernardes, que vive o melhor momento da carreira (confira publicação), ser candidato no ano que vem é enorme e, a julgar pela atmosfera que emana da Praça Victor Konder, as mudanças no poder municipal são latentes e sua efetivação uma questão de tempo.

Outro dia, questionado pelo Análise em Foco sobre a possibilidade de Blumenau ter novo prefeito a partir do ano que vem, Napoleão Bernardes respondeu: 

– Só Deus sabe.

Ou seja, impossível não é.

Motivação

Observando o espaço que o vice-prefeito Mário Hildebrandt (PSB) vem ganhando na administração municipal, a mudança parece mais latente ainda. Na última quinta-feira, por exemplo, o prefeito assistiu a apresentação de Hildebrandt (foto), que também é titular da Secretaria Executiva do Programa de Mobilidade Sustentável e Projetos Especiais, onde estão concentrados os principais esforços, investimentos e, claro, dividendos eleitorais do atual projeto de gestão. O vice, que também é secretário, apresentou o plano de investimentos que é considerado o Santo Graal da gestão tucana em Blumenau.

Como se vê, portanto, os tucanos estão bastante empolgados com as eleições do ano que vem. No Brasil sonham com a possibilidade de fazer um presidente da República pela terceira vez, e em Santa Catarina com a chance de concorrer ao governo ou ao Senado com possibilidade de ganhar.

Da redação da Band, com Estadão Conteúdo e edição do AeF



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