Primeira-dama do crime organizado é presa no Rio de Janeiro. Combate à criminalidade, contudo, precisa de muito mais
Terça-Feira, 10 de Outubro de 2017

Foto: Reprodução/Facebook

Da redação da Band, com edição do AeF

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta terça-feira, Danúbia Rangel, mulher do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha.

Ela estava na Ilha do GovernadorZona Norte do Rio de Janeiro, e foi levada para a Cidade da Polícia, na mesma região. Danúbia responde por tráfico de drogas, associação ao tráfico, falsidade ideológica, corrupção ativa, lavagem ou ocultação de bens, entre outras acusações. O Portal dos Procurados oferecia R$ 1 mil por informações de seu paradeiro. A mulher de Nem já havia sido presa, mas foi solta em março do ano passado. Em julgamento, ela foi condenada a 28 anos de prisão por tráfico de drogas, associação com o tráfico e corrupção; com isso, passou a ser considerada foragida da Justiça.

Danúbia é um dos principais pivôs da guerra entre traficantes que atinge a comunidade da Rocinha desde o dia 17 de setembro. Naquele dia, criminosos ligados a Nem tentaram invadir a favela, para retomar o controle, após Danúbia ter sido expulsa do local pelo ex-segurança de Nem, o traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157. Era ela quem dava as ordens no tráfico, a mando de Nem, até perder o poder para Rogério 157. Por causa da guerra entre os dois grupos, o governo federal autorizou o envio de tropas das Forças Armadas para reforçar as operações das polícias Civil e Militar.

Labirinto

Ações articuladas como a que levou à prisão da primeira-dama do crime no RJ são uma demonstração de que o Estado, as autoridades e as esferas legais de poder ainda podem exercer algum controle sobre a situação de guerrilha urbana que tomou conta da periferia no Rio de Janeiro. Mostram também que a oferta de recompensa para quem ajuda a capturar foragidos pode dar bons resultados.

Mas é preciso ter em mente o fato de que, sem reverter o quadro de degradação social e urbana das favelas nas grandes cidades brasileiras, dificilmente se vencerá a luta contra o crime organizado e a violência. É ali, nos labirintos que tomaram conta da periferia, que as facções criminosas montam seus QGs e bases de operação, principalmente aquelas ligadas ao tráfico de drogas, comércio de armamento e ocultação de criminosos – entre outras atividades barra-pesada da contravenção. O estreitamento da relação entre policiais corruptos e bandidos corruptores também ocorre ali, em larga escala.

Exportação

Por isso é preciso transformar as favelas em sua essência. Transformá-las em território do Estado oficial, e não daquele paralelo, instaurado pelo crime organizado, tornando o cidadão refém dos criminosos. Enquanto isso não for feito, seguir-se-á enxugando gelo no combate à violência e à criminalidade.

Lembrando que os grandes centros e seus grupos organizados exportam crime e violência para outros estados da nação, inclusive Santa Catarina, que já teria suas ramificações de facções sediadas em grandes metrópoles. É preciso traçar um plano nacional, portanto, de revitalização das áreas socialmente mais degradadas. Sem isso, dificilmente as estatísticas da insegurança darão uma trégua. 

Big Apple

Cidades como Nova York já viveram situação semelhante e mostraram que as duas políticas caminham juntas no combate ao crime: policiamento ostensivo e revitalização de áreas degradadas. Nos anos 1970 a Big Apple estava dominada pelo crime e pela degradação social (em proporções de primeiro mundo, é claro), então elaborou um plano de ação fundamentado nestas duas frentes e venceu o jogo. Hoje é uma das mais seguras do mundo entre as megalópoles – quem anda pelo centro de Manhattan, por exemplo, sabe que precisa estar na linha pois um tira à paisana pode estar atrás ou ao lado sem despertar nenhuma suspeita. 




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