Os indícios que reforçam as possibilidades de Napoleão
Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017

Foto: Divulgação/PSDB-SC

O PSDB de Santa Catarina divulgou, no início da noite desta segunda-feira, uma carta de posicionamentos e intenções na qual pede aos filiados do partido que deixem o governo de Michel Temer, reforça o compromisso da candidatura própria para o governo do estado em 2018 e declara apoio do diretório estadual à candidatura de Geraldo Alckmin à presidência da República. No documento, assinado pelo presidente eleito da legenda, deputado estadual Marcos Vieira, os tucanos ainda defendem investigações contra atos de agentes públicos e se isentam de “compromisso com o erro”. Entre outros itens, alguns meramente retóricos, de uma lista de 10.

Olhando-se para alguns indícios recentes do comportamento tucano em SC pode-se fazer algumas ilações e projeções, nenhuma delas com a pretensão de antecipar fatos. Mas tome-se a eleição do senador Paulo Bauer para a presidência de honra do partido, por exemplo, durante convenção realizada no último sábado. Não faria muito sentido agraciar o mesmo filiado com o posto de presidente de honra mais a indicação para concorrer ao governo do estado – Bauer é pré-candidato a governador, ao lado do correligionário Napoleão Bernardes (na foto, com o microfone, ao lado de Marcos Vieira), prefeito de Blumenau. Poderia ser, portanto, um prêmio de consolação para quem já concorreu ao governo no ano passado, ficando em segundo lugar, e gostaria de concorrer este ano de novo, mas aceitou abrir espaço para uma candidatura com maior apelo de renovação e, assim, mais aceitação junto ao eleitorado.

Renovação

O apoio a Alckmin pode ser outro indicativo de que o PSDB catarinense poderia estar investindo na tese da renovação. O governador de São Paulo, teoricamente, representa uma alternativa a setores mais tradicionais do partido, como aqueles liderados por Aécio Neves e José Serra, por exemplo, que também já foram presidenciáveis.

A esta altura do campeonato, portanto, a chance dos blumenauenses e seus vizinhos emplacarem uma candidatura de potencial ao governo do estado parece bastante concreta, para não dizer provável (o Oeste Catarinense já tem seu candidato, Gelson Merisio, do PSD, que vai concorrer com o apoio do governador). 

Lógica

Olhando para a lógica do contexto político-eleitoral e considerando todas as variáveis envolvidas no processo – do desejo de renovação do eleitor à torrefação de filme à qual Bauer foi exposto ao votar a favor de Aécio Neves no Senado –, seria natural pressupor que a candidatura de Napoleão Bernardes faça mais sentido que a de Paulo Bauer para o PSDB. Resta esperar para ver o que pensam os tucanos.




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