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É PRECISO COMBATER O PRECONCEITO, MAS DE FORMA EFICIENTE
Sexta-Feira, 27 de Outubro de 2017

EDITORIAL  AeF

Como já dizia o filósofo do boteco, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Uma coisa é o preconceito, outra completamente diferente a forma de combatê-lo. Em relação aos debates sobre diversidade de gênero, que vêm dominando a pauta das discussões no momento, tem-se uma situação que gera polêmicas cujos efeitos e resultados podem não ser aqueles desejados e esperados por quem luta pela igualdade de direitos e pelo fim do preconceito.

Vejamos o episódio desta semana em Blumenau, em que uma espécie de batalha campal instalou-se na Câmara de Vereadores após uma moção de repúdio aprovada por maioria pelos parlamentares blumenauenses. A iniciativa dirigia-se à organização de evento audiovisual em escola pública do município, levando conteúdo sobre diversidade de gênero, raça e religião. As reações por parte de quem condenou a ação do Legislativo tiveram início e, em reação a elas, reagiram também os que apoiaram a decisão dos vereadores.  No Plenário da Casa, dois grupos frente a frente, cada um com seus argumentos intransigíveis: os que insistem na introdução do tema nas escolas e os que são radicalmente contra. Entre eles um muro invisível, que jamais será derrubado neste clima de enfrentamento.

O preconceito é, indiscutivelmente, uma das piores chagas do século 21. Com o advento das tecnologias de comunicação em tempo real, da hiper-conectividade  e das redes sociais, tornou-se uma espécie de arma com a qual as pessoas atiram na dignidade e nos sentimentos umas das outras. Deflagrou-se uma espécie de guerra na qual vence quem aceitar menos a opinião e as preferências do outro, para fazer prevalecer as suas próprias. Uma realidade que, definitivamente, não combina com uma sociedade que se pressupõe evoluída, formada por indivíduos pressupostamente complexos, de inteligência notável. Pois não há absolutamente nada de evoluído, de complexo e muito menos de inteligente em ser preconceituoso. Muito pelo contrário, é absolutamente primitivo, selvagem e simplista.

Matemática

Ocorre que a tentativa de combater o preconceito com mais preconceito certamente será frustrada. No caso específico da introdução do tema diversidade de gênero nas escolas, já ficou evidente que a ideia não é bem aceita por parte significativa da sociedade, afinal gera-se sempre uma polêmica inacabável que, definitivamente, não vai resolver o problema. Vai produzir no máximo episódios como o da batalha campal de argumentos na Câmara de Blumenau nesta semana, algo bem distante daquilo que efetivamente pode levar à construção de uma sociedade mais tolerante e menos preconceituosa, como quer a parte sensata da população.

Não seria o caso, portanto, de se aceitar esta opinião contrária e refletir sobre novos formatos e ações de combate ao preconceito de gênero? Se um caminho não está levando ao lugar desejado, não seria melhor procurar outro? Sem aceitar esta linha de pensamento, os grupos que estão lutando pela aceitação da diversidade podem estar usando a mesma arma daqueles a quem enfrentam: o preconceito. Afinal, se você não aceita que o outro pense diferente de você, estará estabelecendo um pré-conceito que o impede de aceitar esta diferença. Dá exatamente no mesmo, e a luta contra o preconceito acaba ficando inviável, afinal ambas as partes estarão recorrendo ao mesmo artifício. Não há como a soma de dois preconceitos ser igual a zero preconceito. Questão de matemática pura.

Tomemos como exemplo a luta contra o preconceito racial, que há mais de um século vem sendo travada com resultados bastante consistentes, embora muitas batalhas ainda tenham de ser vencidas. Tanto grupos organizados quanto indivíduos isoladamente, obtiveram espaços inimagináveis para a população negra há 100 anos, no Brasil e no mundo. A nação mais rica do Planeta elegeu um presidente negro para oitos anos de mandato, e a cada dia que passa ele vai deixando mais saudade, pelas atitudes de seu sucessor. O Brasil reconheceu que seu maior escritor foi um negro – Machado de Assis – e o rei do futebol também. A África fez de Nelson Mandela uma das figuras mais cultuadas da história. Isso para ficar só no exemplo das grandes celebridades, porque o mundo hoje está cheio de negros muitíssimo e merecidamente bem sucedidos e acomodados no seio da sociedade, a despeito de todo o preconceito racial que ainda domina a cabeça de muita gente.  Nas artes, no esporte, na mobilização social, nos movimentos religiosos e até na Justiça, não faltam canais de manifestação e defesa da  dignidade racial e étnica, para qualquer raça, para qualquer etnia.

Nas escolas, contudo, nunca se viu nenhuma iniciativa mais ousada de inserção do tema racial, como se vem tentando fazer com a questão da diversidade de gênero, assunto de mesma relevância e importância. Talvez até já se tenha tentado, mas sem sucesso, possivelmente pelos mesmos motivos que agora estão impedindo a introdução do novo tema. Esta dificuldade, contudo, não impediu a população negra de se libertar das correntes, deixar a senzala e conquistar o mundo, ou parte dele pelo menos. Mesma coisa as mulheres. Elas jamais precisaram de uma disciplina sobre feminismo para deixar os homens e o fogão para trás. Conseguiram-no apenas e tão somente por merecimento, por mostrar que são melhores em muitas coisas.

Alternativa

Por isso talvez fosse a hora de buscar novas frentes de combate ao preconceito de gênero. Atuar na cabeça dos pais, geralmente poluída por uma visão preconceituosa do assunto, pode dar mais resultado do que insistir em moldar a mente dos filhos, que não têm nem conceito ainda, quanto mais preconceito.

Também não se pode negar à Câmara de Vereadores o direito de se posicionar sobre o tema. Afinal, aquela é a Casa do Povo para o bem e para o mal. Os vereadores que aprovaram a polêmica moção de repúdio foram eleitos por uma parcela significativa da população, assim como aqueles que votaram contra o dispositivo. Se os parlamentares favoráveis à iniciativa o fizeram encarando seus eleitores, é porque representam o pensamento de uma parte da sociedade. Merecem respeito nesta condição, da mesma forma que também merecem ser respeitados os que foram contrários, pois representam outra parte igualmente legítima da sociedade. Foi o típico encaminhamento que até pode ser questionável, mas é adsolutamente legítimo.

As reações ocorridas e materializadas na batalha do Plenário nesta quinta-feira, da mesma forma, são absolutamente normais e bem vindas, inclusive. São o supra-sumo do exercício democrático, o ponto culminante de uma sociedade livre para discutir abertamente seus temas mais relevantes e sensíveis.

Reforço

Só não parece ser o melhor caminho para combater o preconceito, justamente por servir apenas para reforçar dois preconceitos diferentes. A forma como o assunto está sendo encaminhado, um tanto à força, como se a sociedade fosse obrigada a aceitar a introdução do tema na escola, visivelmente não está funcionando. Vai reforçar preconceitos em vez de diluí-los.

Pensemos todos nisso, quem sabe ajude a construir uma sociedade melhor e menos preconceituosa. É o que deseja todo cidadão de bem, seguramente. 



A CIDADE DO ESPETÁCULO ARREBATADOR E DA VIOLÊNCIA ASSUSTADORA
Terça-Feira, 13 de Fevereiro de 2018

O maior espetáculo da terra, para alguns, é o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, na famosa e célebre avenida Marquês de Sapucaí. Quem assiste ao vivo dificilmente deixa de concordar com a definição, pelo impacto arrebatador que o evento provoca no público. A mistura mágica de música, dança, poesia, interpretação, beleza, alegria história e crítica social que os cariocas são capazes de produzir com seus temas e alegorias realmente enchem os olhos como nenhuma outra atração de nenhum outro lugar do mundo – tudo isso catalisado pela atmosfera única e sedutora da Cidade Maravilhosa, é claro.

Os desfiles da Sapucaí e sua plenitude artística acabam sendo também palco de manifestações políticas dissimuladas e explícitas ao mesmo tempo. A escola de samba Paraíso do Tuiuti, por exemplo, este ano levou para a avenida um presidente Michel Temer caracterizado de vampiro, recorrendo a artifício que poderia ser tanto uma sátira dos muitos memes já compartilhados em rede social sobre a aparência supostamente dracoleana do peemedebista quanto uma alusão ao chefe de estado que, de um lado, imprime certa governabilidade ao país e com isso vai tirando-o da crise, e, do outro, recorre aos velhos e condenáveis dispositivos da política brasileira na hora de negociar essa governabilidade.

Experiência

O professor de História Leonardo Moraes viveu seus momentos de fama ao interpretar o vampiro-presidente da Marquês de Sapucaí. De acordo com ele, além da manifestação fervorosa do público, teria recebido muitos telefonemas saudando-o pelo personagem e pela interpretação.

– A gente imaginava que haveria um certo burburinho, mas não nessa proporção. Na dispersão, muitos jornalistas estrangeiros estavam interessados. Isso me surpreendeu – admite ele.

Por isso o espetáculo carioca acaba sendo ainda uma vitrine da maturidade democrática do Brasil, afinal, em paragens não muito distantes, assim como em outras mais longínquas, seria inimaginável a realização de um evento oficial trazendo alegoria de tamanha acidez contra a principal autoridade do país. É o retrato quase perfeito de um Brasil que, a despeito de tantos anacronismos e problemas para resolver, sabe fazer autocrítica e tem liberdade para discutir a relação abertamente.

Contradição

Infelizmente, contudo, o espetáculo da Marquês de Sapucaí é também o retrato contraditório de uma cidade que sabe produzir arte e crítica social da melhor qualidade mas não consegue resolver seus problemas sociais mais graves, principalmente aqueles ligados à saúde e à segurança pública.

Enquanto as escolas de samba levam para a avenida o que o Brasil tem de melhor em termos de criatividade associada à capacidade de trabalho e organização, o quadro social que as envolve traz à tona a face mais obscura de uma nação que ainda deixa as favelas crescerem como um câncer incurável, o crime tomar conta das ruas e as pessoas morrerem na porta do hospital por falta de atendimento. O Rio de Janeiro e seu deslumbrante espetáculo são a imagem mais eloquente deste país de contradições tão visíveis quanto comprometedoras, que ora levam-no para o céu ora levam-no para o inferno.

Torcida

O movimento de turistas que este ano, novamente, trocaram o carnaval carioca pelo paulistano talvez se explique, em parte, por estas fortes contradições que marcam o Rio de Janeiro. De um lado a cidade de geografia, povo e cultura maravilhosos, do outro o município da insegurança pública, da violência e do medo, que cada vez mais afastam turistas e cariocas, unidos na busca por outros destinos tanto para morar quanto para viajar – Blumenau e Santa Catarina já recebem muitos deles, a propósito.

Por isso o Brasil torce para que o Rio consiga resolver seus problemas e reduza a violência, voltando a ser uma das cidades mais visitadas do mundo. O turista estrangeiro que vem para o país impulsionado pela beleza e pela atmosfera da Cidade Maravilhosa deixa suas divisas aqui e, assim, beneficia toda a nação, direta e/ou indiretamente, ajudando a gerar mais riquezas e oportunidades. Afinal, imaginar o Brasil sem o Rio de Janeiro é como imaginar os EUA sem Nova York ou a França sem Paris. Seguramente receberiam muito menos turistas sem ambas, ou se fossem cidades inseguras.

Editado pelo AeF, com informações do Portal da Band



BLUMENAU GANHA UMA NOVA VELHA PONTE, QUE DEPENDERÁ DE CUIDADOS ADICIONAIS
Quarta-Feira, 07 de Fevereiro de 2018

Teve inicio nesta segunda-feira o trabalho de pintura da ponte Engenheiro Antônio Vitorino Ávila Filho, mais conhecida pelos blumenauenses como Ponte dos Arcos, em função da forma arquitetônica e estrutural que a caracteriza – há cinco décadas a estrutura era parte de uma ferrovia, sendo reformada posteriormente para o fluxo de automóveis.  Esta é a segunda etapa do processo de revitalização pelo qual passa um dos principais cartões postais da cidade, cujas más condições de conservação, há tempo, causavam impressão ruim a quem chegava a Blumenau pela entrada Leste do município.

A revitalização teve início com a limpeza da estrutura, feita em janeiro, e agora a pintura deve ser concluída em cerca de 30 dias. Logo após inicia a modernização do sistema de iluminação. Durante os trabalhos, a princípio, o tráfego no local deverá continuar normal, mas, se houver necessidade de interdição, a autoridade de trânsito avisará com antecedência.

Prevenção

A revitalização da Ponte dos Arcos é uma parceria da Prefeitura de Blumenau com o Rotary Club Blumenau-Açú e as empresas ACN Química e Condor, que doaram a tinta. Por isso estão envolvidos na causa o mérito da iniciativa e o mérito da parceria, pois sempre que o poder público e a iniciativa privada unem esforços pelo bem comum quem sai ganhando é o cidadão, obtendo melhor custo-benefício na prestação de serviços – vale observar que, além de deixar a cidade mais bonita para os visitantes, a revitalização de equipamentos urbanos também provoca uma sensação mais agradável para quem vive no município, interferindo diretamente na qualidade de vida da população.

Mas seria recomendável que fossem pensadas também em mais formas de prevenir a degradação e, principalmente, a depredação de bens públicos importantes como a Ponte dos Arcos, que, além de cartão postal da cidade, é importante equipamento viário. Melhorar a iluminação vai ajudar bastante, mas, para evitar maiores riscos de novas pichações, por exemplo, a instalação de câmeras de monitoramento seria bastante oportuna. Teria custo sensível, mas possivelmente produziria benefício satisfatório. Afinal, se já era desconfortável ver uma velha ponte pichada todos os dias, ver uma ponte com cara de nova mas já cheia de rabiscos será mais desconfortável ainda,  deixando a sensação de dinheiro jogado fora e, pior, de falta de controle das autoridades sobre o patrimônio público.

Manutenção

O monitoramento eletrônico é apenas uma ideia, mas existe outras formas de produzir o mesmo efeito, então cabe às autoridades responsáveis pensar na melhor maneira de zelar pelo bem comum. Uma nova parceria entre a administração municipal e a iniciativa privada para este fim seria muito bem vinda. Certamente diluiria custos, agregaria valor à imagem de eventuais parceiros e deixaria aliviados os blumenauenses, que se perguntarão por quanto tempo aquele belo patrimônio urbanístico, revitalizado, ficará livre da ação dos vândalos.

Que os esforços em viabilizar esta importante obra sejam reconhecidos, portanto, pois trazem um benefício visível para o município, mas que estratégias complementares de manutenção sejam igualmente elaboradas, para dar vida útil mais longa ao investimento e ao retorno que ele vai dar para a sociedade. Do contrário, aquilo que hoje é um grande mérito amanhã pode se transformar num enorme fardo.   



PORTO BELO REVERTE DEGRADAÇÃO INVESTINDO EM SUSTENTABILIDADE E CONSCIÊNCIA
Quinta-Feira, 01 de Fevereiro de 2018

A região de Porto Belo é uma das mais bonitas do litoral catarinense. Localizada na área metropolitana do município de Itajaí, tem uma fauna composta por tartarugas, cardumes de diferentes peixes e aves comuns da Mata Atlântica, além de praias de água limpa e calma para tomar banho sem medo nem receio. Toda esta beleza exuberante, contudo, também sofre com a ameaça da degradação humana, como geralmente acontece com paraísos naturais ocupados pelo homem.

De olho na preservação, o empreendimento Ilha de Porto Belo iniciou nesta temporada a campanha Bitucas não são sementes. A ação faz parte de um conjunto de iniciativas cujo objetivo é reduzir o microlixo, como são chamados os resíduos sólidos não biodegradáveis que se dispersam pelo meio ambiente com facilidade. De acordo com dados oficiais, foram recolhidas mais de 2,6 mil unidades deste tipo de material nas primeiras três semanas do ano na ilha de Porto Belo.

A ingestão dos pequenos detritos sintéticos seria hoje a segunda maior causa da morte de animais marinhos, atrás apenas da pesca comercial. A campanha reforça que "bitucas" (como são chamadas as xepas de cigarro), além de prejudicar o meio ambiente ainda liberam toxinas no solo. Idealizado em três idiomas (português, espanhol e inglês), o material está exposto nas cadeiras de praia, mesas e placas espalhadas pela ilha. Também foram instaladas bituqueiras, para recolhimento e descarte adequado dos resíduos de cigarro.

Para incentivar o envolvimento dos veranistas com a causa, uma equipe atua junto ao público em busca de conscientização. Garçons, monitores e atendentes também passaram por treinamento para comunicar aos visitantes a importância do descarte correto deste tipo de resíduo.

Engajamento

22 anos, a Ilha João da Cunha – como a ilha de Porto Belo é oficialmente batizada – era uma área degradada. Viveu historicamente um período de pesca predatória de baleias e ao longo dos anos, até o início dos anos 1990, acabou virando espaço para acampamentos improvisados onde era deixado lixo e havia muitas queimadas. Hoje, com as ações do empreendimento que explora atividades turísticas e comerciais no local, por onde passam 100 mil pessoas durante a temporada de Verão, a área estaria atendendo a orientação do Ministério Público Estadual e obedecendo a princípios de sustentabilidade.

A campanha Bitucas não são sementes é mais um passo em busca da conscientização dos visitantes e da comunidade do entorno sobre a importância de cuidar do meio ambiente. Desde 2007 os bares e restaurantes instalados na ilha de Porto Belo não vendem cigarros. Já a venda de bebidas em vidro foi extinta ainda mais cedo, em 2002. Os canudos plásticos foram abolidos em 2016. Mesma época em que houve um acordo com os barcos de entretenimento que transportam passageiros para evitar o uso de balões. 

– São ações do cotidiano que muitas vezes não nos damos conta. O uso de canudos, por exemplo. Além dele em si, o plástico que o separa individualmente geralmente solta uma ponta imperceptível aos olhos, mas que prejudicam em muito a fauna marinha ressalta o administrador do Ilha de Porto Belo, Alexandre Stodieck

Segundo o geógrafo Jules Soto, responsável pelo Museu Oceanográfico da Univali, a região do litoral Centro-Norte de Santa Catarina é reduto de tartarugas-verde. Elas nascem nas ilhas oceânicas e migram para o Sul do Brasil, até próximo a São Paulo. Aqui ela tem uma área de pastagem, já que até os dois anos são somente herbívoras, alimentando-se de algas. Do território catarinense elas vão embora e nunca mais retornam, vão se dispersar para o mundo.

– A Ilha de Porto Belo é uma área de pastagem importantíssima. São pouquíssimos lugares no mundo como aqui. E o microlixo afeta diretamente estes animais. Recebemos pelo menos quatro por semana, já mortos, devido à sujeira – lamenta Soto, destacando que tartarugas-verde, albatrozes e petréis são os mais afetados.

Reciclagem

Toda essa preocupação já era hábito no dia a dia da ilha de Porto Belo, mas ganhou força com a visita do capitão Charles Moore, em 2015. O oceanógrafo norte-americano é o descobridor da ilha de lixo amontoado de material descartável boiando sobre a água – do Oceano Pacífico e virou estudioso de metodologias que possam controlar o problema em seu estágio inicial.  Moore procura identificar maneiras para que se possa conter esse acúmulo progressivo de lixo, reduzindo os impactos causados às espécies marinhas e aos oceanos.

– As pessoas devem parar de poluir os oceanos com plásticos ou qualquer outra coisa, temos que instaurar uma cultura de reciclagem e desperdício zero – disse o pesquisador em sua visita.

Gerações

Em todo este contexto no qual a preocupação com hábitos sustentáveis de consumo é cada vez mais decisiva para a salvação do planeta, chama a atenção, negativamente, como parte das novas gerações não está fazendo sua parte. Bem perto de Porto Belo, na Praia Central de Balneário Camboriú  e na vizinha Praia Brava (também conhecida como Praia dos Amores), separadas por uma montanha, há também uma separação visível de comportamento, que simboliza de forma assustadoramente eloquente esta constatação.

Enquanto os frequentadores de Balneário Camboriú, entre os quais a maioria pertence a uma faixa etária mais elevada, costumam deixar a praia relativamente limpa depois de usá-la, a juventude antenada que predomina na Praia Brava geralmente deixa um verdadeiro lixão para trás. Quem for a ambas as praias num mesmo dia da temporada de Verão poderá fazer esta constatação sem nenhuma dificuldade, tamanha a diferença de comportamento dos dois públicos.

É nesta diferença, mais do que em seu resultado, que reside a preocupação, afinal, são justamente as novas gerações que deveriam estar mais envolvidas com a conservação ambiental e a sustentabilidade. Algo está dando errado, portanto, e não é só o acúmulo de lixo na praia.  

Editado pelo   Aef,   com informações da assessoria de imprensa do empreendimento Ilha de Porto Belo



A UNANIMIDADE CONVINCENTE DO TRF-4
Quinta-Feira, 25 de Janeiro de 2018

OPINIÃO DO ANÁLISE

A maioria dos observadores considerava provável a manutenção da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas poucos apostavam na unanimidade da decisão. O resultado de 3 x 0 contra o recurso apresentado pela defesa, além de um efeito simbólico de peso na derrota, produz também uma consequência prática, que é a redução do número de recursos que poderão ser apresentados. Com isso, aumentam bastante as chances de impugnação da candidatura de Lula.

Quem assistiu à integra do julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), ficou com poucas dúvidas sobre a culpa de Lula no episódio do apartamento triplex do edifício Solaris da praia do Guarujá. Seria preciso, diante de todos os fatos, documentos e depoimentos relatados, um exercício de surrealismo exacerbado para acreditar que aquele imóvel não era destinado ao ex-presidente como pagamento de vantagens indevidas.

Seria preciso fechar os olhos às mais retumbantes evidências para engolir a história de que Lula e a então primeira-dama Marisa Letícia fizeram visita e aprovavam reformas na unidade por uma questão meramente circunstancial. Quem ainda tem alguma dúvida sobre a robustez das provas e evidências, procure os vídeos do julgamento na internet e ouça com atenção o voto de cada desembargador. A alegada falta de propriedade formal do referido imóvel, diante de tantas evidências, realmente soa apenas como um capricho de quem tomava cuidado para não ser pego com a "boca na botija". Pelo menos é isso que entenderam os desembargadores e quem acompanhou seu raciocinio.

Desperdício

A direção nacional do Partido dos Trabalhadores, infelizmente, perdeu mais uma chance de se conectar novamente com a parcela da sociedade que deixou de confiar no partido – a mesma parcela que havia sido conquistada em 2002, com a Carta aos Brasileiros, e que elegeu Lula depois de três tentativas frustradas. Em nota assinada pela presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, o PT recorre novamente a ataques ao Judiciário, à retórica do golpe e ao clichê da Rede Globo como bode espiatório.  

“O resultado do julgamento do recurso da defesa de Lula, no TRF-4, com votos claramente combinados dos três desembargadores, configura uma farsa judicial. Confirma-se o engajamento político-partidário de setores do sistema judicial, orquestrado pela Rede Globo, com o objetivo de tirar Lula do processo eleitoral”, diz o documento em uma das partes. Em outra, afirma que “O plano dos golpistas esbarra na força política de Lula, que brota da alma do povo. Esbarra na consciência democrática da grande maioria da sociedade, que não aceita uma condenação sem crime e sem provas, não aceita a manipulação da Justiça com fins de perseguição política. Não vamos aceitar passivamente que a democracia e a vontade da maioria sejam mais uma vez desrespeitadas”.

Desconexão

São afirmações que mostram, sobretudo, uma grande desconexão com a realidade. Primeiro que, para quem defende a democracia, o respeito ao poder Judiciário é questão primordial. Não existe Estado democrático de Direito sem uma Justiça forte, soberana e independente. Sem demonstrar nenhum respeito a juízes e desembargadores, portanto, fica difícil acreditar que alguém preserve de fato a democracia. Já quando falam que “o plano dos golpistas esbarra na força política de Lula, que brota da alma do povo. Esbarra na consciência democrática da grande maioria da sociedade, que não aceita uma condenação sem crime e sem provas”, ignoram o fato de que Lula foi praticamente abandonado pelo povo, ou por boa parte dele. Quem foi às ruas para defendê-lo, sem ter ganho a passagem do ônibus, o lanche e, eventualmente, até uma gorjeta? Onde está a “grande maioria da sociedade, que não aceita uma condenação sem crime e sem provas”, se o que se vê é comemoração generalizada nas redes sociais e nas ruas sempre que o ex-presidente tropeça na Justiça?

São sintomas de quem não está percebendo a gravidade da situação e por isso pode acabar engolido por ela. Lembra até aquele cônjuge cujo par volta inexplicavelmente tarde todas as noites, exala perfume alheio e não tem mais interesse na relação. Para crer no adultério e na necessidade de separação, contudo, ele precisa ver a consumação do fato na cama ou na entrada do motel, senão continua acreditando que tudo possa ser só uma questão de trabalho em excesso. Além de inocência, é preciso muito esforço para enganar-se a si próprio e acreditar que o pior não está acontecendo.

Teoria

Por isso a estratégia do PT não funcionou e não vai funcionar, nem na Justiça nem na eleição de outubro. Para vencer, o partido precisa ir além dos cerca de 30% do eleitorado que se mantém fiel à legenda apesar de todos os fatos em evidência. Seria preciso reconquistar aqueles eleitores que até 2002 tinham medo do PT por achar que o partido transformaria o país em um feudo comunista se chegasse ao poder,mas que resolveu dar um voto de confiança a ele depois dos compromissos assumidos na Carta aos Brasileiros. Com esse discurso de quem perdeu o rumo da proa, no entanto, dificilmente vai reconquistar alguém.

Qualquer equação simples de Teoria dos Jogos mostrará isso aos petistas. Para manter a faixa do eleitorado fiel, que está com o PT na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, não seria preciso adotar o discurso inócuo de revanchismo que está sendo adotado. Este segmento de eleitores será do partido faça chuva ou faça sol. Já a parcela que poderia fazer diferença na balança só está sendo afugentada com a postura de enfrentamento adotada pela cúpula partidária. Não há absolutamente nenhuma vantagem, portanto, em manter a estratégia.

Chegou-se ao ponto, entretanto, que pode ter ficado tarde para mudar, pois outubro está logo ali e qualquer mudança, agora, pode parecer oportunismo. Ou seja, o PT meteu-se numa situação em que, se ficar, o bicho come, se correr o bicho pega.




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