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ENSINO INTEGRAL TERÁ INCENTIVO DO MEC, E BLUMENAU JÁ TEM PRIMEIRA UNIDADE
Segunda-Feira, 13 de Novembro de 2017

Apesar de tudo o que se faz nas esferas pública e privada para dificultar o desenvolvimento do Brasil, ele teima em avançar, aos trancos e barrancos, retrocedendo dois passos num dia para avançar três no outro. Resignando-se e seguindo em frente a despeito de toda a má sorte de adversidades que se lhe põe pelo caminho.  Às vezes até, por incrível que pareça, com medidas acertadas da administração pública.

Uma destas ações positivas da esfera estatal foi a recente iniciativa do Ministério da Educação de investir R$ 1,5 bilhão na criação de 500 mil vagas de ensino médio em tempo integral. Através de uma ajuda de custo de R$ 2 mil por ano para cada aluno matriculado em escolas integrais da rede estadual  (pode parecer pouco, mas se o dinheiro for bem utilizado não é), os estados poderão aderir ao incentivo para ampliar de forma gradual a educação continuada e alcançar as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê o atendimento de 50% das escolas públicas e de 25% dos estudantes em tempo integral até 2024.

Metas e resultados

Em Blumenau, a primeira unidade estadual a oferecer vagas dentro da modalidade estendida (na rede municipal algumas já oferecem) vai ser a Escola de Educação Básica Doutor Max Tavares D´Amaral, localizada na região Norte da cidade, inaugurada há pouco tempo e dotada de ótima infraestrutura. Inicialmente as aulas em tempo integral serão oferecidas a duas turmas de primeira série do ensino médio, com até 40 alunos. Depois, a cada ano, deverão ser acrescentadas turmas de segunda e terceira séries. As matrículas iniciam junto com toda a rede estadual, de 30 de novembro à 7 de dezembro, e devem ser feitas na própria unidade.

Os professores já estão em processo de seleção e serão todos efetivos, segundo a Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Blumenau. As aulas ocorrerão de segunda à sexta, com uma hora de intervalo para o almoço – os alunos receberão três refeições por dia na escola. Às quintas-feiras, no período vespertino, os estudantes serão dispensados para que professores e gestores da unidade possam fazer reunião de avaliação das aulas, da metodologia e do planejamento. Este é um item importante da estratégia, pois, sem metas e avaliação de resultados, não se sai do lugar nem se chega ao objetivo, que neste caso é melhorar a qualidade da educação no ensino médio.

Gargalo

O ensino médio hoje é um dos maiores gargalos da educação pública no país. É a etapa em que estão os maiores índices de evasão escolar e os mais baixos níveis de aprendizado. Talvez por uma razão bem simples: a adolescência é uma das fases mais complicadas e complexas da vida, e a escola pode não estar preparada para dar ao estudante o conteúdo e o suporte necessários para encará-la da forma mais lúdica e menos conflituosa possível. Há outros fatores determinantes, como a qualidade também deficiente do ensino fundamental, mas este é decisivo.

Neste sentido, o ensino integral é uma alternativa das mais sadias para lidar com este desafio. O convívio estendido com os colegas, a fragmentação do conteúdo, a ampliação das atividades, a alimentação adequada, a possibilidade de estar menos suscetível às influências negativas do ambiente externo. Há uma série de aspectos que faz da educação em tempo integral uma ferramenta bastante recomendável para melhorar o desempenho do aluno nesta etapa de seu desenvolvimento educacional.

Estímulo

Mas vai ser fundamental que, além da ampliação do horário, as escolas ofereçam também grade curricular e metodologia atraentes e estimulantes, complementados por atividades extra-curriculares igualmente atraentes e estimulantes, assim como um corpo docente e pedagógico preparado e motivado para lidar em tempo integral com uma massa de adolescentes em plena ebulição.

Se o objetivo da ampliação do horário for apenas duplicar a fórmula atual, vai ter poucas chances de dar certo e produzir reflexos consistentes na educação e no desenvolvimento do Brasil. Mas se tiver um viés transformador e comprometido com o resultado, tem tudo para começar uma inversão de curva na história do ensino público no país.

Torcida e união

Resta à sociedade torcer para que os gestores e profissionais envolvidos no processo tenham consciência disso e dêem todos sua parcela de contribuição para o sucesso da iniciativa. Os políticos, por sua vez, só precisam roubar menos (já que parar parece impossível) e aprovar as reformas de que o Brasil tanto precisa para investir mais e com maior eficiência.

Os brasileiros, enquanto isso, devem parar de dividir-se por picuinhas ideológicas e começar a unir-se por causas mais efetivas e importantes. São elas que vão transformar o país, não a diferença entre esquerda e direita ou entre o partido A e o partido B, muito menos entre os coxinhas e os não coxinhas. Pensemos todos nisso, antes que seja tarde demais.    




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