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COM VELHAS FÓRMULAS PARA VELHOS PROBLEMAS, BRASIL VAI ANDANDO PARA TRÁS
Terça-Feira, 05 de Dezembro de 2017

OPINIÃO DO ANÁLISE

Os blumenauenses assistiram atônitos a uma série de ataques a veículos do transporte coletivo urbano, que nos últimos dias foram depredados por criminosos através de emboscadas feitas em diferentes locais e horários. Lançando artefatos com bolas de gude contra ônibus da frota municipal, alguns parados outros em circulação, os responsáveis pelos atentados promoveram a barbárie sem deixar rastro da ação covarde e injustificável, nem qualquer tipo de reivindicação que pudesse levar a algum tipo de entendimento sobre a origem dos episódios – que envolveram ainda a queima de um veículo. Em nenhum dos atentados, felizmente, houve vítimas em estado grave.

Em época de negociação salarial e reajuste de tarifa no transporte municipal, não faltaram palpiteiros para arriscar uma conclusão sobre possíveis responsáveis pela onda de vandalismo. Qualquer afirmação mais conclusiva neste sentido, contudo, seria pura leviandade, pois nenhum elemento material e objetivo, até agora, permite ligar os fatos a supostas autorias.

Mas existem dois aspectos nesta história fatídica que precisam ser ressaltados. O primeiro diz respeito à forma de prevenção deste tipo de ato terrorista – embora não seja comparável aos atos terroristas clássicos, que matam pessoas ao redor do mundo, a ação protagonizada pelos criminosos blumenauenses pode ser comparada ao terrorismo em base semântica, afinal toda forma de impor o medo ou o terror a uma sociedade é uma atitude terrorista. A presença ostensiva da Polícia Militar nos corredores por onde circulam os veículos da frota municipal , como vem ocorrendo nesta semana, ajuda bastante, indiscutivelmente. Quando enxergam que a lei e a ordem estão sendo resguardadas por seus agentes, os fora da lei sentem-se bem menos à vontade para praticar seus delitos.

Investigação

Mas o que realmente ajuda a cortar o mal pela raiz, neste caso, é um trabalho investigativo bem feito, que possa identificar responsáveis e levá-los ao banco da Justiça. Ações com nível perceptivo de sistematização (foram mais de uma dezena de ataques em três dias) como esta, na qual se executa um plano estratégico e bem elaborado, precisam obedecer a um comando, pois, do contrário, sequer seriam articuladas, ou acabariam deixando um rastro inacabável de evidências. É este comando que precisa ser detectado e desarticulado.

Outro aspecto extremamente relevante destas ocorrências diz respeito ao contexto em que se desenrolam. O Brasil se vê cada vez mais refém da violência, dos radicalismos, dos apartheids ideológicos, e isso seguramente se reflete no ambiente social da nação, afetando agora até cidades supostamente seguras como Blumenau, que já deixou de ser tão segura assim faz tempo. Embora em escala reduzida na comparação com os grandes centros urbanos, a insegurança chegou à cidade e à região trazendo com ela os assaltos, os tiroteios e o receio de frequentar alguns lugares em alguns horários. Um drama que antes era exclusividade das grandes cidades vai chegando aos poucos ao lugar que até bem pouco tempo atrás era opção justamente para quem queria fugir de lá.

Conforme já destacou-se algumas vezes aqui nesta mesma página, este é o reflexo mais visível de um país que não se desenvolve de verdade, que insiste em apostar em fórmulas fracassadas de desenvolvimento. A violência policial que não dá conta de vencer o crime, o assistencialismo estatal que não dá conta de promover prosperidade, a máquina pública corrompida e engessada pela corrupção e pela ineficiência, que não dá conta de colocar o país dos trilhos. Enquanto muita gente ainda acredita nestas fórmulas esgotadas, a nação vai se degradando aos poucos e o bonde da história vai passando por todas as estações nas quais poderia parar para o embarque dos brasileiros.

Proximidade

Antes ainda parecia que tudo isso estava distante, mas agora começou a ficar bem mais perto de todos, inclusive no Sul Maravilha, a ilha de segurança e qualidade de vida que todos admiravam. A violência deixou de ser coisa das favelas cariocas e paulistanas para se tornar coisa da periferia e do Centro de Blumenau, do Vale do Itajaí, de Santa Catarina. É a exportação do subdesenvolvimento e da criminalidade produzidos nos grandes centros do país, conforme também já foi destacado aqui mais de uma vez.

Por isso pense bastante antes de escolher as propostas de cada candidato a presidente no ano que vem. Não se deixe levar pela bravata, pela conversa fiada, pela promessa vaga. Tenha em mente que, sem mudanças profundas de paradigma, o Brasil não vai se reinventar e tudo isso que você está vendo, aqui e acolá, só vai piorar. Aí o maior prejudicado pode acabar sendo você. Pense nisso, antes que seja tarde de mais.    




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